Doenças do aloe vera: Descobre os seus 2 principais inimigos
Em tudo o que diz respeito ao aloe vera, devemos destacar a existência de José Imery-Buiza, engenheiro agrónomo e Coordenador do Laboratório de Investigação em Genética e Melhoramento de Aloe vera da Universidade do Oriente na Venezuela. Achámos interessante partilhar o seu artigo sobre as principais causas que provocam doenças do aloe vera.
Queremos agradecer ao doutor Imery o seu grande trabalho de investigação acerca do maravilhoso mundo do aloe vera.
O Aloe vera ou sabila é considerado como uma espécie com poucos inimigos naturais e, antes pelo contrário, é reconhecido como fonte de compostos com atividade biológica para o controlo de alguns organismos.
No entanto, como em qualquer outra planta domesticada e cultivada extensivamente, esta suculenta não escapou à evolução dos seus antagonistas. Por isso, existe uma lista crescente de trabalhos científicos que documentam danos causados por artrópodes, moluscos, nemátodos, fungos e bactérias.
Neste artigo apresento um resumo das principais doenças que estudámos em plantas da América e outras observações registadas por colegas investigadores da Europa e Ásia.

Fungos que adoecem a planta do aloe vera
No caso das doenças causadas por fungos, a nível mundial foram identificadas as espécies Alternaria alternata, Alternaria sp., Botryodiplodia sp., Byssochlamys nivea, Cercosporidium sp., Colletotrichum sp., Coniothyrium concentricum, Corynespora sp., Curvularia sp., Drechslera spicifera (=Bipolaris spicifera), Exserohilum rostratum, Leptosphaeria nigrans, Macrophoma sp., Melanospora zamiae, Phyllosticta sp. e Physalospora sp., como causadoras de manchas e necroses foliares.
Situando-nos na Índia, o fungo Alternaria alternata não só provocou danos localizados nas folhas de A. vera, como também diminui a eficácia de alguns dos seus compostos terapêuticos em plantas infectadas, reduzindo a qualidade dos seus produtos derivados.
A espécie fúngica Uromyces aloe tinha sido reportada como responsável da ferrugem em outras espécies de Aloe; no entanto, em 2004 foi reconhecida como causadora de danos foliares em plantas de A. vera cultivadas na Catalunha e Valência (Espanha). Foram descritos os seguintes sintomas: manchas esbranquiçadas e amareladas sobre o lado superior das folhas e frequentemente na parte basal, que corresponderiam à fase espermogónio do fungo. Posteriormente, as manchas evoluem até formar lesões eruptivas ou pústulas, de cor castanho-dourado a castanho-escuro, coalescentes e dispostas concêntricamente em grupos arredondados de 3-5 cm de diâmetro, que corresponderiam à fase telial. Se as condições persistirem (temperaturas amenas e alta humidade), o número de pústulas aumenta e causa o secamento de toda a lâmina foliar.
Outros fungos, entre eles, Fusarium oxysporum, Fusarium solani, Fusarium sp., Lasiodiplodia theobromae, Pythium ultimum, Phytophthora parasitica, Phytophthora sp. e Sclerotium rolfsii, são responsáveis pela podridão do rizoma. Fusarium oxysporum; Fusarium solani, Phytophthora parasitica, Phytophthora sp., Rhizoctonia solani, Rhizoctonia sp. e Sclerotium rolfsii, provocam ainda podridão da raiz com o consequente tombamento e enfraquecimento da planta.

Doenças do Aloe vera
Os casos das doenças causadas por bactérias: bactérias como Pantoea agglomerans produzem manchas aquosas e posterior necrose foliar. Na América continental e ilhas do Caribe, o principal patógeno do Aloe vera é a bactéria Erwinia chrysanthemi, causadora de podridões aquosas com uma incidência de até 4% das plantas cultivadas. Focando-nos em solos com má drenagem e excesso de água devido a chuvas contínuas ou rega mal administrada, a incidência pode atingir até 35%, ultrapassando o nível de tolerância económica. Esta doença inicia-se com clorose nas folhas mais antigas e avança com inchaço na base das folhas, formação de bolha de gás, perda de rigidez, tombamento das folhas, libertação do conteúdo foliar com odor fétido e morte da planta 8-11 dias após o primeiro sintoma.
No novo mundo, outros patógenos economicamente importantes são os fungos Alternaria sp. (com incidência de 3%), Macrophoma sp. (1%), Colletotrichum sp. (0,7%), Bipolaris sp. (0,5%), Rhizoctonia sp. (0,5%), Fusarium sp. e Sclerotium rolfsii (0,4%). É importante que os entusiastas e profissionais interessados em Aloe vera respeitem as regulamentações de transporte ou troca de material vegetal para reduzir a introdução de doenças inexistentes na sua localidade, além de se recomendar estar muito atentos a mudanças que observem nas suas plantas domésticas ou em grandes plantações e que as reportem às autoridades fitossanitárias mais próximas.
Por outro lado, os cientistas estão conscientes de que atualmente todas as plantas de Aloe vera cultivadas a nível mundial representam praticamente um grande clone de muito baixa variabilidade genética e estamos a trabalhar arduamente para gerar novos cultivares tolerantes aos patógenos já existentes e para contrariar aqueles que inexoravelmente evoluam com o tempo.
Dr. José Imery Amante da Biologia, Cultivo e melhoramento genético do Aloe vera.